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Gaslighting é mais comum do que imaginamos – e Charlotte Perkins nos ajuda a entendê-lo

Publicado por:
Antonella Guimarães Satyro
Foto: Bruna Cs
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Uma mulher criativa e emocionalmente fragilizada é levada pelo marido a uma casa de campo. O querido John que deveria ser seu companheiro é, na verdade, a causa de todos os seus problemas. Ele a faz acreditar que está doente, que precisa descansar, que não deve fazer nenhuma atividade extra e nem sair de casa, afinal ele é médico e entende muito bem sobre todas as coisas. A querida cunhada apoia a causa, fechando um círculo onde todos opinam, menos a dona de suas vontades.

 

Ele a coloca em um cômodo infantil cuja estampa é um papel de parede amarelo. A decoração é cansativa, desagradável e nauseante para ela, que insiste para que mudem de quarto. Ele não concorda. A narrativa segue com as confissões da personagem, mostrando como é padecer lentamente em um lugar que odeia, que a consome, que incomoda seus pensamentos e que representa, para ela, uma prisão mental, pois inibe qualquer atitude e desejo seu.

 

O livro foi publicado em 1892 e foi considerado como do gênero terror, pois a problemática da trama não foi compreendida na época. Somente em 1970, Papel de Parede Amarelo voltou a ganhar atenção por sua temática feminista. Foi o momento da crítica compreender realmente o que o livro significava e a força do enredo para ilustrar o conceito de gaslighting. Quando escreveu o livro, a autora nem sabia que tal denominação existia, mas sabia muito bem como descrevê-la.

 

Com certeza essa história é um clássico da leitura feminista e, para mim, foi um dos livros mais elucidativos que já li, pois nos leva a mergulhar por águas turvas, complexas e atuais. Charlotte Perkins Gilman é uma heroína por traduzir em palavras e sensações o que as mulheres sofrem há séculos e nem sabem e nem têm ideia de como explicar. Este livro é uma ode à verdade e ao despertar de nós mesmas para entendermos que com certa frequência, somos submetidas a jogos psicológicos, dependência e submissão em diferentes aspectos das nossas vidas. Convido todas as mulheres a embarcarem neste subterrâneo compêndio de elucubrações que ajudará a subir à superfície e enxergar claramente o que muitas vezes acontece na prática da vida moderna (ainda).

 

Sobre a autora
Antonella Guimarães Satyro

Internacionalista, turismóloga, ambientalista, administradora, profissional de marketing e TI. Entusiasta da vida, das coisas, das pessoas, dos desafios e das viagens. Aspirante a filósofa e quem sabe um dia... escritora. Autora do livro: Todas as emoções deste mundo.

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