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Nem Impostora, nem abelha rainha. Juntas, vamos?

Publicado por:
Polianna Santos
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Quem nunca pensou “o que é que eu estou fazendo aqui? ”. Sabe, aquela sensação de ser uma fraude, de que não deveria estar em determinado lugar e que a qualquer momento as outras pessoas vão perceber isso? Pois é, isso é tão comum que ganhou um nome: Síndrome da impostora. Ok, isso acontece com homens também, mas pelo nosso processo de socialização, nossas experiencias e pela cultura em que estamos inseridos, é muito mais comum em mulheres.

Tanto é assim, que, geralmente, quando há uma oferta de uma nova vaga ou promoção que exige certas habilidades, a mulher tende a se apresentar para a chamada quando possui todas ou quase todas as habilidades exigidas. Os homens, ao contrário, tendem a se apresentar ainda que não possuam a maioria. Isso se repete no que diz respeito à negociação. Os homens tendem a negociar o valor da contratação, e as mulheres raramente o fazem. Isso impacta, inclusive, na diferença salarial entre nós.

Essas questões estão absolutamente relacionadas ao nosso processo de socialização e à nossa cultura. A tendência de criar os filhos homens estimulando a competição, o risco, e as filhas mulheres à não se sujarem, a se comportarem, a falarem baixo e serem gentis com todos. A noção de que há um espaço mais adequado para as mulheres – que é o espaço privado, da casa, da família – e um espaço mais adequado para os homens – que é o ambiente público, o trabalho, a política, o poder, o esporte – é tão antiga e tão arraigada que mesmo que possamos dizer com certeza que passamos por um período de fortes mudanças, essa cultura ainda impacta profundamente em nossas vidas.

Isso acontece com a ideia de nunca estar preparada, por exemplo. As mulheres vivenciam isso de forma maciça, e tendem a tentar compensar essa sensação com excesso de trabalho. “Eu não posso parar, eu não posso dizer não, eu preciso dar conta disso, e de tudo o mais”. Isso é absolutamente cruel. A figura da mulher que dá conta de tudo é perversa!

Do outro lado, temos a “Abelha Rainha”. Sabe, aquela mulher que conseguiu alcançar altos cargos apesar de todas as dificuldades (o que é realmente digno de nota), mas acaba se isolando, inclusive tratando com grosseria outras mulheres que porventura trabalhem com ela. Geralmente é uma mulher abusiva (sim, existem). Lembra do filme O Diabo Veste Prada? Então.

Agora vamos pensar um pouquinho. Nem se achar uma impostora, nem se isolar como a dona do pedaço, não é mesmo?

Ninguém é uma ilha, e fazer as coisas sozinha é muito difícil e absolutamente desnecessário. Você não é uma impostora. Sabe, ninguém está 100% pronto, ou totalmente preparado simplesmente porque é impossível saber exatamente o que vem depois. Sabe, tem uma série de coisas que podem acontecer aleatoriamente. Fique tranquila, nada está definido. Não dá para ter tudo sobre controle (eu diria que bem pouca coisa, mas isso seria outra conversa). Já leram o livro “A Lógica do Cisne Negro? Por favor, façam isso.

Você não precisa também subir ao um pedestal e se isolar! Isso é muito doloroso e cruel consigo mesmo com as outras mulheres. Sabe, nós fomos criadas de um modo geral com a ideia de que mulheres não são amigas, são falsas, e que competem entre si (pelo príncipe encantado). Serio gente?

Isso tem impactos muito negativos nas nossas relações interpessoais e no próprio ambiente de trabalho. Nós vivemos em uma sociedade em rede, conectada. As mulheres chegaram no ambiente de trabalho, são maioria em quase todos os espaços, exceto nos espaços de poder e de tomada de decisões.

Mas sabe o que realmente poderia ajudar? Redes! Redes de mulheres! Sabe, conversar, conhecer gente, estabelecer contatos, estar disponível. É geralmente a partir dessas relações, próximas e não tão próximas que surgem as mais diversas oportunidades.

Se ao invés de a mulher que alcança altos cargos se isolar como a Abelha Rainha ela se cercar de outras mulheres? Ajudar umas às outras, lembrar das mulheres que conhecemos quando ficamos sabendo de alguma oportunidade, um trabalho bacana, um curso, enfim. Vamos dividir essa carga entre nós! Eu sempre posso ajudar alguém com alguma coisa, e alguém sempre pode me ajudar. Pode ser simplesmente colocando pessoas em contato, ou passando informações! Fazer redes, fortalecer redes, pode ser mais simples do que pode parecer.

Muitas vezes os eventos para networking acontecem a noite, num ‘happy hour’ ou eventos assemelhados e isso prejudica muitas mulheres – sabe, aquela história da cultura e do espaço da mulher? Então, seguimos com a noção de que a família é responsabilidade ou atribuição da mulher e se ela tem filhos, fica impedida de participar desses eventos. Precisamos rever isso também!

Mas ok, ainda acontece, não vamos esperar o momento ideal para formar nossas redes, não é mesmo! Pois vamos nos esforçar para promover essa união, essa relação, estreitar esses laços, em qualquer horário e em qualquer oportunidade. É um almoço, um café, um brunch? Um intervalo, qualquer hora, qualquer motivo, tudo! Podemos colaborar umas com as outras!

Uma mulher no seu ambiente de trabalho não é sua inimiga! Não a trate assim, não seja inimiga dela. Não faça fofocas, não critique a mulher por suas roupas ou seu tom de voz. Não seja você um veículo dessas inimizades. Juntas somos muito mais fortes, inclusive no ambiente de trabalho. Quando uma mulher é fortalecida, eu também sou. Quando uma mulher é humilhada, eu também sou. Vamos nos esforçar para crescer juntas, dividindo o peso, e dividindo as vitórias. Nem impostora, nem abelha rainha. Vamos juntas?

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*O lugar da fala acolhe a expressão de cada uma. As autoras do blog não interferem nas escolhas das colaboradoras quanto ao uso da linguagem, ao estilo de escrita, à gramática e à sintaxe. A revisão feita é meramente técnica, para correção de eventuais erros de digitação, todo o resto será tratado como opção de estilo da autora.

Sobre a autora
Polianna Santos

Advogada, professora, empreendedora, sobrevivente. Mulher em processo permanente de revisão.

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